segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Conferência Ministerial Global: “acabando com a tuberculose na era dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”

Nos dias 16 e 17 de novembro, foi realizada a primeira Conferência Ministerial Global: “acabando com a tuberculose na era dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”, em Moscou, Federação Russa. A reunião foi organizada pelo governo russo, com o apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS), e foi inaugurada pelo presidente do país, Vladimir Putin. O evento reuniu mais de mil participantes, dentre eles 75 Ministros da Saúde dos países prioritários para o controle da tuberculose, representantes da sociedade civil, da academia e das organizações internacionais.

Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, disse que são necessárias ações e investimentos intensificados para acelerar a resposta à tuberculose (TB) e alcançar todas as pessoas afetadas pela doença. A TB é a doença infecciosa que mais mata no mundo, são cerca de cinco mil mortes por dia. A Ministra da Saúde da Federação da Rússia, Dr. Veronika Skvortsova, declarou seu compromisso de acabar com a doença, afirmando que “a conferência oferece uma oportunidade única para acelerar os esforços em todo o mundo para acabar com a epidemia da tuberculose até 2030, através de uma abordagem multissetorial e interdisciplinar na agenda do Desenvolvimento Sustentável”.

O Secretário Executivo do Ministério da Saúde, Dr. Antonio Carlos Nardi, representou o Brasil na conferência e falou no primeiro painel de alto nível "Acabando com a epidemia de tuberculose: Perspectivas dos países de alta carga de TB e de TB-MDR". Dr. Nardi ressaltou a importância do evento e de finalmente haver uma priorização política mundial em torno da doença. Além de expor as atividades realizadas no Brasil para o enfrentamento da doença, o Secretário Executivo se comprometeu em criar um Comitê Interministerial para o acompanhamento das políticas públicas em tuberculose. Para ele “envolver os ministérios da Justiça, Desenvolvimento Social, das Cidades, dos Direitos Humanos, Educação, Ciência e Tecnologia e Casa Civil é uma estratégia fundamental”.


As autoridades presentes assinaram no dia 17 de novembro, uma Declaração Ministerial, com compromissos para avançar na luta contra a tuberculose. A declaração será o documento norteador da Reunião de Alto Nível sobre Tuberculose da ONU, a realizar-se ano que vem durante a Assembleia Geral das Nações Unidas.

Os BRICS

A ocasião foi ainda a oportunidade que os representantes da academia e dos governos dos países dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) escolheram para formalizar o lançamento da Rede BRICS de Pesquisa em Tuberculose, uma rede que tem o objetivo de identificar prioridades de pesquisa e maneiras de cooperação para avançar na luta contra a tuberculose e alcançar as metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, para 2030. A Rede foi formalizada no dia 17 de novembro pelo governo da Federação Russa, com o apoio dos demais países.

A Rede é o primeiro produto do Plano de Cooperação em Tuberculose dos BRICS, proposto pelos Ministros da Saúde dos cinco países em 2014, e acordado também pelas autoridades em 2016. O plano centra esforços em medidas de atenção, proteção social e pesquisa para o combate da doença nos países do grupo e em países de baixa e média renda.

Os BRICS concentram quase 50% de todos os casos novos de tuberculose no mundo. Apesar de ser o país com o menor número de casos no grupo, o Brasil é o único país prioritário para a tuberculose na região das Américas. A tuberculose é uma ameaça comum para a saúde pública dos cinco países e, ao unir esforços, os BRICS tomaram o primeiro passo para fazer frente à doença, liderando a agenda de pesquisa para o desenvolvimento de novas ferramentas para o seu enfrentamento.



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terça-feira, 14 de novembro de 2017

Agentes penitenciários e detentos da Máxima participam de projeto que servirá de referência contra tuberculose

Fonte: AGEPEN - Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário


Campo Grande (MS) – Com a finalidade de reduzir a incidência da tuberculose (TB) na população carcerária, projeto pioneiro no Brasil e no mundo está sendo realizado com detentos e agentes penitenciários de Mato Grosso do Sul. Os trabalhos já tiveram início no Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho (EPJFC) – o Segurança Máxima da capital – e depois serão desenvolvidos também na Penitenciária Estadual de Dourados (PED), as duas maiores unidades prisionais do estado.

Iniciados há duas semanas na Máxima de Campo Grande, os trabalhos consistem na realização de entrevista, de coleta de escarro para teste rápido molecular e cultura da bactéria, além de raios X digitais. Para isso, os profissionais responsáveis contam com o apoio de uma unidade móvel, em forma de contêiner, totalmente equipada, que está estacionada dentro do presídio. Todos os agentes penitenciários da unidade prisional e mais de cem internos já foram triados até o momento.
 

A ação está sendo realizada pelo Governo do Estado, através da Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) e a Secretaria de Estado de Saúde (SES), em parceria com a Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), além da colaboração internacional da Universidade de Stanford e do Instituto Nacional de Saúde Pública dos Estados Unidos.

Segundo o idealizador e coordenador do projeto, infectologista Júlio Croda, o objetivo é provar que as unidades móveis são efetivas para o controle, ou mesmo, erradicação da doença. A ideia principal, destaca Croda, é identificar, em um curto período de tempo, os casos de tuberculose para evitar a transmissão. “Ao final dos trabalhos, pretendemos mostrar o impacto e justificar a existência da unidade móvel nos presídios como uma solução possível e efetiva”.


Conforme o infectologista, os dois presídios foram escolhidos porque concentram de 70 a 75% dos casos de tuberculose que ocorrem dentro das prisões do estado. “Desta forma, reduziremos consideravelmente os casos de TB, ressalta o médico, que também é pesquisador da Fiocruz, reforçando que a medida deverá impactar na comunidade em geral, devido ao fluxo de entradas e saídas nestes locais.

O projeto terá duração de dois anos e meio, com meta de cinco triagens em cada penitenciária, desenvolvidas por três meses, alternadamente. Desta forma, se pretende identificar precocemente todos os casos de tuberculose de ambas as unidades penais, iniciar o tratamento e diminuir a transmissão. “Para isso, estamos com a equipe totalmente externa do projeto, ou seja, não estamos sobrecarregando a equipe de saúde do presídio”, pontua. “Temos três enfermeiros, um médico e dois tecnólogos de raios X”, complementa Croda.

A meta, segundo ele, é que, no futuro, seja um trabalho permanente. “Mesmo porque, já existe uma sinalização do Ministério da Justiça e da Saúde, pelo programa nacional de controle de tuberculose, de ampliar para todos os estados a ideia de trabalhar com unidades móveis e com custos mais baratos”, finaliza Croda.

Força-tarefa

Na Agepen, o trabalho é coordenado pela Diretoria de Assistência Penitenciária (DAP), por meio da Divisão de Saúde. Com 2.335 detentos, a Máxima de Campo Grande possui uma demanda elevada de movimentação de presos e, para que o prazo das triagens seja cumprido, a DAP, em conjunto com a Diretoria de Operações e a direção do presídio, elaborou estratégias que irão otimizar as triagens, chegando a 40 custodiados atendidos por dia.

Até o momento, foram identificados dois detentos com tuberculose, que passaram pela consulta médica com o infectologista Júlio Croda e já iniciaram o tratamento padrão com a medicação, conforme o Ministério da Saúde, que dura cerca de seis meses.

Segundo a enfermeira e responsável pela triagem, Andrea Carbone, todos os participantes são informados sobre a realização do projeto; antes dos exames é assinado o termo de consentimento e aplicado um questionário. “Após essa etapa, coletamos o escarro para o teste rápido molecular e é feito o exame de radiografia do tórax”, esclarece.

Os dois testes são realizados na hora e no mesmo dia ficam prontos, apenas o laudo com as imagens de raios X que são entregues ao setor de saúde do presídio na outra semana, atendendo todas as recomendações do Ministério da Saúde.


Há 12 anos atuando como agente penitenciário da área de segurança e custódia, Dirceu Belmar Monis, de 39 anos, participou do projeto e realizou, pela primeira vez, a radiografia do tórax. “Ações de prevenção e combate de doenças respiratórias dentro dos presídios é de extrema relevância, principalmente para nós profissionais que trabalhamos em locais com superlotação e em contato direto com a massa carcerária, onde a transmissão é ainda mais acentuada”, afirma.

O interno José Antônio de Oliveira, 34 anos, está preso há nove anos e teve pneumonia por três vezes antes de ir para a prisão. “É importante realizar esses exames, principalmente pelo meu histórico de doença respiratória; aqui dentro do presídio é a primeira vez que faço radiografia de tórax e o atendimento que recebi foi ótimo”, elogia.

Para o diretor-presidente da Agepen, Aud de Oliveira Chaves, projetos como esses demonstram o comprometimento da instituição com a saúde dos reeducandos e dos servidores penitenciários, considerando que a prevenção de doenças é a melhor saída para uma gestão eficaz. “É importante destacar também que a iniciativa é fruto de parceria entre o Governo do Estado e universidades brasileiras e até de fora do país, reforçando esse esforço em prol do sistema prisional, bem como de toda a população”, ressalta.

Investimentos

De acordo com os responsáveis, para equipar a unidade móvel, foram investidos R$ 700 mil em projetos vinculados a UFGD, dos quais R$ 137 mil pelo Governo de Mato Grosso do Sul, utilizados na preparação do baú, que barra a radiação emitida pelo aparelho de raios X; além disso, a Secretaria de Saúde doou 4 mil laudos. As instituições americanas financiaram R$ 2,2 milhões para as pesquisas e a carreta utilizada para o transporte da estrutura foi doada pela Receita Federal.

Texto e fotos: Tatyane Santinoni e Keila Oliveira.