quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

BRICS priorizam a tuberculose na agenda de saúde do bloco

21 de dezembro de 2016 -  Os Ministros da Saúde e autoridades designadas do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul se reuniram no dia 16 de dezembro para a 6ª Cúpula de Saúde dos BRICS, em Nova Délhi, na Índia. Na ocasião, as autoridades se comprometeram com uma série de medidas que deverão ser tomadas pelos governos relacionadas às principais emergências de saúde comuns entre os países.
A tuberculose (TB) foi um dos principais temas da reunião. Cerca de 50% da carga mundial de TB está concentrada nesses cinco países, que compartilham desafios comuns no enfrentamento da doença e, portanto, podem desenvolver uma resposta comum para essa crescente ameaça.

Neste sentido, os países dos BRICS se comprometeram em adotar o Plano de Cooperação dos BRICS em TB e apoiar as recomendações feitas pelo workshop BRICS sobre HIV e tuberculose, realizado em Ahmedabad, Índia em novembro deste ano. Na ocasião, ficou evidenciada a necessidade urgente da ampliação de recursos destinados à pesquisas de novos métodos diagnósticos e de tratamento, bem como a necessidade de prover apoio e incentivos sociais aos pacientes que enfrentam alguma vulnerabilidade.

Foi nesse sentido que as autoridades se comprometeram na 6ª Cúpula de Saúde dos BRICS em considerar as necessidades técnicas, políticas e financeiras para o enfrentamento dos desafios de saúde pública relacionados à TB e HIV.

Um dos pontos principais do compromisso conjunto foi o acordo para a criação de uma rede de pesquisa em TB no âmbito dos BRICS além de um consórcio de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) para a TB, VIH e malária, incluindo a possibilidade de angariação de recursos internacionais.

Por último, as autoridades endossaram a necessidade da reunião de Alto Nível em Tuberculose, proposta pelo Governo Russo, a ser realizada em Moscou em 2017, bem como a importância da realização da Reunião de Alto Nível da ONU sobre TB durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em 2018.

Para acessar o Joint Communiqué, clique aqui.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Santa Catarina produz vídeos sobre tuberculose


                O que é tuberculose, as formas de transmissão e os sintomas da doença e a importância do tratamento para a sua cura são as questões apresentadas nos vídeos produzidos pela Diretoria de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde de Santa Catarina (Dive/SC) e pelo Núcleo Telessaúde SC. Foram produzidos cinco vídeos dirigidos a população e aos profissionais de saúde, com orientações e recomendações do médico pneumologista Gilberto Sandin.
                Um dos vídeos instrutivos você pode assistir aqui, e os demais estão disponíveis no hotsite (www.dive.sc.gov.br/tuberculose), e no canal da Dive Santa Catarina no Youtube (https://www.youtube.com/channel/UCLUcsAIuLXeFO7269CEQrhw).

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terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Blog recebe Selo Sérgio Arouca

O blog ´Tuberculose: circulando a informação´ será premiado nesta quarta-feira (14) pela qualidade das informações em saúde disponibilizadas na internet. Criado em 2012, com o objetivo de visibilizar as ações  de controle da tuberculose desenvolvidas no Brasil pela sociedade civil e gestão, tornou-se uma referência entre os diferentes públicos envolvidos no controle da doença no país.
O Programa Nacional de Controle da Tuberculose (PNCT/SVS) é parceiro dessa iniciativa e tem o papel de apoiar tecnicamente o trabalho visando garantir a qualidade das informações publicadas.
A certificação, o “Selo Sergio Arouca”, será concedida pela Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz), em evento que será realizado nesta quarta-feira (14), no Rio de Janeiro (RJ). Estarão presentes no evento Hermano Castro (diretor da ENSP), Denise Arakaki-Sanchez (coordenadora do Programa Nacional de Controle da Tuberculose do Ministério da Saúde), Carlos Basilia (coordenador do Observatório Tuberculose Brasil) e Otávio Porto (coordenador do Centro de Referência Professor Hélio Fraga, ENSP/FIOCRUZ).
Na oportunidade, André Pereira Neto (coordenador do Laboratório Internet, Saúde e Sociedade) fará a apresentação do processo que resultou na criação do Selo Sergio Arouca que será conferido ao blog "Tuberculose: Circulando a Informação".
Durante a cerimônia também será lançado o livro "Qualidade da Informação em Sites de Tuberculose: Análise da Segunda Experiência Inovadora" que descreve e analisa o processo de avaliação dos sites de tuberculose.
A conquista veio após a avaliação de que o sítio eletrônico estava em conformidade com indicadores e critérios que atestaram a qualidade do conteúdo disponibilizado, garantindo aos usuários a certeza de informações corretas e atualizadas.

A avaliação é feita por uma equipe composta por profissionais e usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). Uma vez aprovado, o site poderá colocar no topo da página o “Selo Sergio Arouca de Qualidade da Informação em Saúde na Internet”. Este selo indicará ao visitante que a informação disponível é confiável. Segundo os idealizadores do prêmio, a iniciativa é estratégica para a melhoria do SUS.

Selo Sergio Arouca
O prêmio, que atesta a qualidade da informação em saúde na internet, foi anunciado no 32º Congresso Nacional de Secretarias Municipais de Saúde, realizado no Ceará, Fortaleza, em junho de 2016.
O nome do selo é uma homenagem ao professor Sérgio Arouca (1941-2003), um dos ideólogos do SUS e ex-presidente da Fiocruz nos anos de 1985 a 1989.
O Selo Sergio Arouca é uma marca que garante que a informação disponível em um site de saúde é de qualidade. Este selo foi criado pelo "Laboratório Internet, Saúde e Sociedade" (LaISS) e tem a chancela da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP) da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ). Ele assegura ao visitante que o conteúdo do site é compreensível e confiável. Com ele, o site adquire credibilidade, passa a ser recomendado e torna-se uma referência no assunto no Brasil.
Fontes: Ministério da Saúde/ENSP/FIOCRUZ

Encontro Nacional de Coordenadores Estaduais discute diretrizes de controle da tuberculose na perspectiva da Estratégia Pelo Fim da Tuberculose proposta pela OMS


Nos dias 7 e 8 de dezembro de 2016, foi realizada, em Brasília, a Reunião de Coordenadores dos Programas Estaduais de Controle. O encontro, realizado anualmente, teve como objetivo divulgar as ações realizadas pelo Programa Nacional de Controle da Tuberculose (PNCT), bem como as perspectivas para o ano de 2017, tendo como foco a Estratégia Pelo Fim da Tuberculose, proposta pela Organização Mundial de Saúde (OMS), para os próximos anos. Além disso, a reunião foi um momento de troca de experiências entre as Unidades Federadas, onde os coordenadores puderam expor suas fortalezas e fragilidades na gestão dos programas de controle da tuberculose.

A abertura do evento contou com a presença da coordenadora do PNCT, Denise Arakaki, e do Tuberculosis National Officer Consultant da Organização Panamericana da Saúde (OPAS), Fabio Moherdaui.

Entre os temas discutidos pelos técnicos do PNCT estão: a situação epidemiológica da tuberculose no Brasil, a situação dos medicamentos para o tratamento da tuberculose, ações de controle da tuberculose na população privada de liberdade, o Plano Nacional pelo Fim da Tuberculose, a tuberculose resistente, vigilância do óbito por tuberculose e a vigilância da Infecção latente por tuberculose (ILTB).

No primeiro dia, o evento contou com a participação do coordenador adjunto do Departamento IST, Aids e Hepatites Virais, João Paulo Toledo, que fez uma apresentação sobre:  a coinfecção TB-HIV no Brasil: situação atual e perspectivas. Davllyn Santos Oliveira dos Anjos, da Coordenação Geral de Acompanhamento e Avaliação do Departamento de Atenção Básica, falou sobre o Programa de Melhoria do Acesso e da Qualidade na Atenção Básica (PMAQ), juntamente com a técnica do PNCT, Patricia Bartholomay, que apresentou estudos sobre a descentralização do atendimento da tuberculose para a atenção básica e como os programas de tuberculose podem utilizar o PMAQ como uma ferramenta de gestão.

No segundo dia do evento, tivemos a participação do professor da Universidade de Brasilia, Mauro Sanchez, que discorreu sobre o tema: proteção social e tuberculose: panorama das pesquisas no Brasil.

Por fim, ao encerrar o evento, a coordenadora do PNCT, Denise Arakaki, apresentou mensagens chaves para os coordenadores estaduais, com o objetivo de auxiliá-los no processo de organização das suas ações.


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PNCT realiza Seminário sobre Diagnóstico Laboratorial da Tuberculose


No dia 06 de dezembro o Programa Nacional de Controle da Tuberculose ( PNCT) realizou o III Seminário Nacional de Diagnóstico Laboratorial da Tuberculose.  Este evento faz parte da programação anual do PNCT e contou com a presença dos coordenadores dos programas estaduais de controle da tuberculose, da Coordenação Geral de Laboratórios de Saúde Pública (CGLAB) e de representantes do setor de diagnóstico da doença dos Laboratórios Centrais de Saúde Pública (LACEN) e de pesquisadores.

A coordenadora do programa nacional de controle da tuberculose, Denise Arakaki, proferiu palestra sobre a estratégia da Organização Mundial de Saúde para o fim da tuberculose como problema de saúde publica até 2035 e destacou a necessidade de mudar paradigmas assistenciais, centrando o foco dos profissionais de saúde nas necessidades do paciente em relação ao diagnóstico, acolhimento e tratamento.

No evento foram discutidos temas relevantes para o controle da tuberculose no país, como a reestruturação da rede laboratorial, implantação dos testes fenotípicos e moleculares para diagnóstico laboratorial, seguido de teste de sensibilidade para detecção de resistência às drogas usadas no tratamento e a revisão do manual de diagnóstico laboratorial da tuberculose. Também teve destaque a regularização do fornecimento de kits para a Rede de Teste Rápido Molecular para Tuberculose, a ser efetivada no início do mês de janeiro.

Também foi dada ênfase à necessidade de aprimoramento e utilização correta dos sistemas de informação da vigilância epidemiológica e laboratorial da tuberculose, sendo essencial o fornecimento de informações para o planejamento das ações que visam à melhoria do sistema.
O seminário foi um momento oportuno de integração e discussão dos principais desafios para a ampliação e melhoria do diagnóstico laboratorial de tuberculose no país.

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segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Audiência Pública discute Plano Nacional Pelo Fim da Tuberculose

No dia 06 de dezembro, a Comissão de Seguridade e Família, da Câmara dos Deputados, realizou Audiência Pública para  discutir o Plano Nacional pelo Fim da Tuberculose que está sendo elaborado com base na Estratégia Global da Organização Mundial de Saúde (OMS).

A Audiência foi uma iniciativa da Frente Parlamentar de Luta contra a Tuberculose presidida pelo Deputado Antônio Brito e contou  com a presença do Ministério da Saúde representado por Denise Arakaki, Coordenadora do Programa Nacional de Controle da Tuberculose;  Afrânio Kritski, Coordenador da Rede Brasileira de Pesquisa em Tuberculose (Rede TB); Vera Galesi, Diretora da Divisão de Tuberculose  na Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo;  e Carlos Basília, Secretário Executivo da Parceria Brasileira Contra a Tuberculose.

No inicio da reunião foi apresentado vídeo enviado pelo Diretor do Programa Global de Tuberculose  da OMS,  Mario Raviglione. Sua mensagem destacou o protagonismo do Brasil na elaboração da nova Estratégia. Explicou que a estratégia está dividida em três pilares. O Pilar 1 traz o paciente no coração do cuidado. O Pilar 3 preconiza o apoio à inovação e pesquisa. Já o Pilar 2 tem a alma do Brasil. O pais foi fundamental na definição desse pilar que reafirma a cobertura universal e a proteção social como fundamentais no enfrentamento da doença e na mitigação do sofrimento causado pela TB e seus familiares.

Raviglione ainda alertou que o Brasil tem um importante papel no cumprimento das metas acordadas no Plano Global pelo Fim da Tuberculose. É o único pais das Américas na lista dos países de alta carga da tuberculose. Está também na lista de enfrentamento da coinfecção TB/HIV. Concluiu que o Brasil tem grande potencial para alcançar as metas estabelecidas na Estratégia, mas para isso, é necessário compromisso político.

Na seqüência, Denise Arakaki, representando o Ministério da Saúde, destacou que para atingirmos as metas propostas pela OMS devemos priorizar a reestruturação e fortalecimento dos serviços de saúde nos Estados, a melhoria da capacidade laboratorial e a incorporação de novos medicamentos no tratamento.

Afrânio Kritski, da Rede TB, considerou que para o Brasil alcançar a erradicação da tuberculose, é preciso investir em melhores condições de vida e em pesquisa para que novos medicamentos  e processos de atendimento possam ser implementados.

Carlos Basilia, representando a sociedade civil na Audiência, demostrou sua preocupação para o cumprimento das metas estabelecidas pela OMS diante do atual cenário político  e econômico do Brasil. Reforçou a necessidade do envolvimento de diferentes setores da sociedade e da mobilização social na resposta brasileira pelo fim da tuberculose.

O Presidente da Frente Parlamentar de Luta contra a Tuberculose, Deputado Antônio Brito,  encerrou a Audiência reafirmando a importância  do compromisso político e o envolvimento do legislativo na qualificação das políticas de saúde relacionadas ao enfrentamento da tuberculose no Brasil. Como encaminhamento se comprometeu a propor na Comissão de Seguridade Social e Família a criação  de um Grupo de Trabalho para acompanhar a implementação do Plano Nacional Pelo Fim da Tuberculose que será lançado em 2017.

Participação da Sociedade Civil
 



A Audiência contou com participação de representantes da Rede Brasileira de Comitês Estaduais para o Controle da Tuberculose que realizaram o trabalho  divulgação junto aos parlamentares. Além dos representantes da Rede de Comitês, participaram representantes de Organizações da Sociedade Civil que pertencem ao Segmento Ativismo da Parceria Brasileira Contra a Tuberculose.









                                        



Mensagem  do Diretor do Programa Global de Tuberculose da Organização Mundial da Saúde, Dr. Mario Raviglione  





















Mensagem da Secretária Executiva  STOP TB Partnership
Dra. Licica Ditiu

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Minas Gerais realiza Encontro com Regionais de Saúde

Nos dias 01 e 02 de dezembro de 2016, o Programa Estadual de Controle da Tuberculose  (PECT/MG) realizou encontro com as Referencias Técnicas em TB das Regionais de Saúde de Minas Gerais. O encontro proposto discutiu diversas questões relacionadas à doença, que anualmente soma cerca de 6.085 casos novos em MG. 

Dentre elas, Etiopatogenia, diagnóstico e esquema terapêutico com a Dra. Silvana Spíndola, a importância do TDO com a enfermeira Juliana Veiga, a questão dos exames laboratoriais com o bioquímico Cláudio Augusto da FUNED e o SINAN  e indicadores do Projeto de Fortalecimento da Vigilância  com a técnica Rita de Cassia.  

Além dos temas acima, a equipe do PECT abordou a questão do Sintomático Respiratório, Medidas de Controle e Prevenção,  Os problemas da TB resistente e a importância das ações ligadas à Comunicação, Advocacy e Mobilização.


Não poderíamos deixar de ressaltar as 7 Regionais de Saúde que se destacaram no ano de 2016 por reduzirem em no mínimo 55% das pendências relacionadas à  planilha de Monitoramento Oportuno dos Casos de Tuberculose  e alcançarem dois outros critérios   relacionados. Foram elas: Governador Valadares,  Patos de Minas, Pedra Azul, Sete Lagoas, Ubá,  Uberlândia e Teófilo Otoni que receberam Certificados de Reconhecimento, entregues pela Diretora de Agravos Não Transmissíveis da SES-MG, Alexia Valle de Freitas.
O produto do encontro foi a validação do Plano de Trabalho para o ano de 2017.

Fonte da Informação
Ludmila C. do C. Tavares
Programa Estadual de Controle da Tuberculose de Minas Gerais

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

COINFECÇÃO TB/HIV EM PAUTA

Hoje, dia  01 de dezembro,  é o Dia Mundial de Luta contra a Aids. Nos países endêmicos para tuberculose (TB), como é o caso do Brasil, o advento da epidemia do HIV trás consigo grandes desafios para o controle da tuberculose, visto as dificuldades no diagnóstico e tratamento da TB em pessoas vivendo com HIV e Aids (PPHA). Quando comparado à população geral, as PVHA estão 28 vezes mais propensas a desenvolver tuberculose ativa, além disso, as interações medicamentosas, dificuldades de adesão ao tratamento e mesmo a gravidade de ambas as doenças determinam a alta mortalidade da coinfecção tuberculose e HIV. 

O controle do HIV/Aids e da TB ainda é um grande desafio para a saúde pública. Em 2006, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou as Atividades Colaborativas TB-HIV com o objetivo de diminuir a carga de TB e HIV em pessoas com risco para o desenvolvimento da doença. As atividades colaborativas apresentam três eixos principais: estabelecer e reforçar os mecanismos de colaboração e de gestão conjunta entre os programas de TB e HIV, reduzir a carga de TB em pessoas vivendo com HIV, iniciar a terapia antirretroviral precoce e reduzir a carga de HIV em pacientes com TB e/ou diagnosticados. 

Para a Organização Mundial da Saúde o Brasil possui alta carga de TB e também alta carga de coinfecção TB e HIV, estando entre os 30 países com maior número de casos de TB e de coinfecção no mundo. O Brasil, possui uma proporção de coinfecção TB-HIV de aproximadamente 10%. Em 2015, o percentual de testagem para HIV no Brasil foi 78% entre os casos novos de TB, os quais revelaram 9,9% de pessoas com coinfecção TB-HIV.  

Para ampliar as atividades colaborativas em prol da associação da TB e do HIV, o Programa Nacional de Controle da Tuberculose (PNCT) e o Departamento de IST, Aids e Hepatites Virais (DIAHV) do Ministério da Saúde investiram na integração dos dois programas tanto na esfera federal, quanto nas outras esferas de governo. Destaca-se ainda como uma das prioridades, o monitoramento mensal do indicador de testagem para o HIV em pacientes com tuberculose na Agenda Estratégica da Secretaria de Vigilância em Saúde/MS e ainda, a publicação pelo Ministério da Saúde, em 2017, de um Boletim Epidemiológico temático focado em TB-HIV, o qual abordará, entre outros temas, fatores associados ao abandono, e a cobertura da terapia antirretroviral em casos coinfectados. 

Além de priorizar essas atividades colaborativas, o manejo clínico da coinfecção TB-HIV ainda precisa ser qualificado, principalmente em relação ao início oportuno dos antirretrovirais e do diagnóstico precoce do HIV nas pessoas com tuberculose, e da tuberculose nas PVHA, uma vez que esse grupo de pacientes apresenta maior risco para os desfechos desfavoráveis da doença, com abandono do tratamento e óbito maior, e cura menor que na população que a população não-HIV. Importante também a prevenção da tuberculose nessa população, como uma das principais estratégias para a melhoria do cenário atual de ambas as doenças.

Ações desenvolvidas pela Rede Brasileira de Comitês

Com o objetivo de destacar a importância das ações colaborativas, alguns Comitês Estaduais pertencentes a Rede Brasileira de Comitês para o controle da TB estão realizando eventos para discutir a necessidade de fortalecimento das ações entre os programas de Aids e TB.

O Pará realizou o 1º Seminário do Comitê Estadual de Tuberculose, no qual a coinfecção TB-HIV estava entre os temas discutidos. A partir do relato de experiência de um SAE (Serviço de Atendimento Especializado) foi possível observar a importância da colaboração entre os serviços para o tratamento das pessoas com coinfecção. Também foi debatido o papel do Comitê como agente de informação, controle social e a necessidade de ações integradas entre o movimento de TB e Aids.

No dia 28 de novembro o Comitê Estadual de Tuberculose de São Paulo realizou evento intitulado “Roda Vida TB+HIV” que reuniu ativistas e especialistas em TB e HIV/Aids no Instituto Clemente Ferreira. O Instituto é especializado no tratamento da TB e, desde o início de 2016, funciona dentro do Instituto, um Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA). Este trabalha em parceria com o Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids-SP.

As coordenadoras estaduais e municipais dos programas de Aids e TB discutiram a necessidade de integração das ações, com ênfase no diagnóstico e tratamento das pessoas com TB-HIV. Já a sociedade civil alertou para importância de intensificar as ações de mobilização relacionadas ao tema.
O evento ainda contou com a participação da Agência Aids que realizou a cobertura e divulgou a atividade em seu site.

 

Mas as atividades não param por ai!  


            Manaus também realizou uma atividade de mobilização relacionada à prevenção ao HIV/Aids na região  portuária, alusiva ao dia mundial de luta contra Aids – 1º dezembro. O Comitê Estadual de Tuberculose participou da atividade com o objetivo de sensibilizar a população  para detecção  da TB e alertar para a importância da pessoa com TB realizar o teste para o HIV.


Já o Comitê do Rio Grande do Sul realizará entre os dias 05 e 07 de dezembro o “I Fórum Gaúcho – Desafios para o enfrentamento da coinfecção TB-HIV”, no Sanatório Partenon, em Porto Alegre.  O evento contará com participação de gestores, academia e sociedade civil. Entre os representantes da sociedade civil estarão Veriano Terto Junior da Associação Brasileira de Aids e Roberto Pereira do Fórum TB do Rio de Janeiro. Fernando Seffner, representante da academia, professor e pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Sul fará uma abordagem sobre as questões relacionadas à vulnerabilidade e direitos humanos - perspectivas teóricas para ampliar a qualidade da resposta à coinfecção TB-HIV.


terça-feira, 22 de novembro de 2016

Brasil segue discutindo a priorização da tuberculose no âmbito dos BRICS

A tuberculose é uma prioridade de saúde pública para os países dos BRICS – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Cerca de 50% da carga mundial de TB está concentrada nesses cinco países. O bloco, que discute temas comuns em saúde desde 2011, tem buscado priorizar os esforços conjuntos contra a doença desde 2014, quando os Ministros da Saúde dos países se comprometeram em unir esforços para o enfrentamento da tuberculose.

Foi nesse contexto que, nos dias 15 e 16 de novembro, foi realizado em Ahmedabad, Índia, o Workshop de TB&HIV dos BRICS. O encontro teve como base a estratégia “Fim da TB”, endossada pela OMS desde 2014 e as metas “90-90-90” para a tuberculose, propostas pelo Stop TB Partnership, e do HIV/aids, propostas pela UNAIDS. Na ocasião foram discutidos aspectos relevantes sobre as duas doenças, como a situação epidemiológica, diagnóstico e tratamento, resistência aos medicamentos e políticas em relação aos determinantes sociais das doenças. Além de representantes técnicos dos Ministérios da Saúde dos BRICS, participaram do encontro representantes do Stop TB Partnership, da OMS e da academia.

Cada país tem desenvolvido ações estruturais e programáticas que foram compartilhadas com o grupo, e, mesmo havendo um contexto epidemiológico e social complexo em relação a ambas as doenças em cada país, há uma base comum de causas epidemiológicas, sociais e econômicas que permitem discutir o atual aumento no número de casos de HIV e de tuberculose. Ficou evidenciada, entre outros pontos, a necessidade urgente da ampliação de recursos destinados à pesquisas de novos métodos diagnósticos e de tratamento, bem como a necessidade de prover apoio aos pacientes através do fornecimento da medicação necessária ao tratamento pelo Estado, além de incentivos sociais àqueles pacientes que enfrentam alguma vulnerabilidade.

Por fim, os países acordaram uma breve declaração com recomendações específicas discutidas no encontro, que será divulgada em breve.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Relatório Global de Tuberculose da OMS revela que os esforços e investimentos em nível mundial estão aquém do necessário para acabar com a epidemia global de tuberculose

O Relatório Global de Tuberculose é uma publicação anual da Organização Mundial de Saúde (OMS). Este ano, com dados de 202 países e territórios que representam mais de 99% da população mundial, o Relatório apresenta os avanços na prevenção, diagnóstico e tratamento da doença, além de identificar áreas onde esforços precisam ser lançados.

O ano de 2015 foi marcado pelo lançamento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e pela Estratégia pelo Fim da Tuberculose como complementação dos compromissos alcançados por meio dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio e da Estratégia Stop TB, respectivamente. A nova estratégia estabelece a meta de redução de 90% dos óbitos por tuberculose e de 80% do coeficiente de incidência até 2030 em relação ao ano de 2015. Esse é o primeiro relatório que inicia um novo ciclo de priorização para o fim da tuberculose.

"Enfrentamos uma árdua batalha para alcançar as metas globais para a tuberculose", destaca a Dr. Margaret Chan, Diretora-Geral da OMS. "Deve haver um aumento expressivo nos esforços para o enfrentamento da doença, ou os países continuarão para trás dessa epidemia mortal e as metas ambiciosas acordadas serão perdidas."

O relatório deste ano aponta que a epidemia de tuberculose revelou-se maior do que as estimativas anteriores da OMS. Globalmente, foram estimados em 2015, 10,4 milhões de casos novos de tuberculose, dos quais 1,2 milhão estavam associados ao HIV. A queda do coeficiente de incidência entre os anos de 2014 para 2015 foi de apenas 1,5%. Para que as metas definidas pela Estratégia pelo Fim da Tuberculose sejam alcançadas, essa queda precisa ser acelerada em 4 a 5% ao ano até 2020.
Foram estimados 1,4 milhão de óbitos por tuberculose em 2015, e um adicional de 400 mil óbitos em pessoas com TB vivendo com o HIV. Apesar do número de óbitos por TB ter reduzido em 22% entre 2000 e 2015, a doença ainda permanece no ranking das 10 principais causas de morte no mundo.

"O mínimo progresso na resposta à TB é uma tragédia para as milhões de pessoas que sofrem da doença. Para salvar mais vidas agora, precisamos garantir o acesso de novas ferramentas para diagnóstico, novas drogas e regimes para aqueles que necessitam. As ações e investimentos atuais estão muito aquém do necessário ", apontou o Dr. Mario Raviglione, diretor do Programa Global de Tuberculose da OMS. "O mundo está finalmente acordando para a ameaça da resistência antimicrobiana – agora é a hora de acelerar a resposta contra a tuberculose drogarresistente."

Necessidade de financiamento para alcançar as metas

O relatório destaca que o progresso da luta contra a tuberculose - sua prevenção, diagnóstico e tratamento, requer um financiamento adequado e sustentado ao longo dos anos. Em termos de recursos mundiais, US$ 6,6 bilhões foram disponibilizados para o cuidado e prevenção da TB em países de baixa e média renda, em 2016, e 84% dos recursos disponíveis partiram de investimentos domésticos. No entanto, os investimentos nesses países ainda está aquém em quase 2 bilhões de dólares, sendo necessários 8,3 bilhões para o cuidado e prevenção adequados da doença. Esta lacuna poderá aumentar para 6 bilhões de dólares em 2020, caso os investimentos para a doença não aumentem.

Em setembro, uma reunião de alto nível do Conselho Executivo do Stop TB Partnership, uma organização da ONU dedicada ao fim da tuberculose, o Ministro da Saúde da África do Sul, Dr. Aaron Motsoaledi, a Primeira Dama da Nigéria e outros líderes mundiais endossaram a convocação de uma Reunião de Alto Nível dedicada à tuberculose durante a próxima Assembleia Geral da ONU, em setembro de 2017. Atualmente, fortes compromissos dos Chefes de Estado na luta contra a tuberculose têm sido insuficientes.

"Os recursos aplicados para a tuberculose, a doença infecciosa que mais mata no mundo, estão aquém do necessário", destacou o Dr. Ariel Pablos-Méndez, administrador do departamento de Saúde Global, da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) – organização principal para o financiamento bilateral da tuberculose. "Todos têm um importante papel a desempenhar no preenchimento dessa lacuna. Como o relatório mostra, precisamos de cobertura universal de saúde, de mecanismos de proteção social e financiamento da saúde pública nos países mais atingidos. A comunidade de assistência humanitária precisa intensificar seus investimentos agora, ou simplesmente não vamos acabar com uma das doenças mais antigas e mortais do mundo ".

Cobertura Universal e proteção social: implicações para a tuberculose

De acordo com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e com a Estratégia pelo Fim da TB, a proteção social pode contribuir para acabar com a pobreza e com o fim de doenças epidêmicas como o HIV e a TB. Análises ecológicas sugerem existir uma associação inversa entre o investimento do governo em proteção social e a incidência da TB.
No Brasil algumas medidas já foram tomadas em relação à proteção social:
O Programa Nacional de Controle da Tuberculose (PNCT) tem priorizado as discussões sobre proteção social entre suas ações, levando o tema para conhecimento dos parlamentares,
Colaboração estreita com a Frente Parlamentar contra a TB
Já foi documentada a relação entre o programa de transferência de renda (Bolsa família) e a melhoria nos resultados de tratamento da TB
O PNCT está apoiando a avaliação do programa Minha Casa Minha Vida no que diz respeito à redução da incidência de TB

Desenvolvimento de pesquisa em tuberculose

Intensificar a pesquisa e inovação e a rápida incorporação de novas tecnologias são os  principais componentes do terceiro pilar da Estratégia pelo Fim da Tuberculose. Nesse contexto, o relatório destaca o Guia de Ação Global para Pesquisas em Tuberculose que visa fomentar a investigação de alta qualidade para acabar com a epidemia de TB globalmente.

Em 2016, quatro novos testes diagnósticos foram revisados e recomendados pela OMS. Essas novas ferramentas identificam, de maneira precoce, possíveis resistências, possibilitando a utilização de esquemas alternativos para os pacientes. Uma ferramenta complementar ao Teste Rápido Molecular para a Tuberculose (TRM-TB), já implantado no Brasil, será avaliada em 2017 e, caso endossada pela OMS, poderá substituir os exames de cultura convencionais, entregando os resultados em um menor período de tempo. Além disso, uma nova plataforma de diagnóstico está em vias de desenvolvimento e terá como objetivo a testagem no local de atendimento do paciente.

O desenvolvimento de novas drogas e regimes para o tratamento continua com grandes avanços. Existem nove drogas em fases avançadas de desenvolvimento clínico para o tratamento da tuberculose sensível, multidrogarresistente e para a infecção latente, das quais seis são novas.
Também existem 13 vacinas candidatas para ensaios clínicos: oito de fase II ou III, e cinco de fase I. Elas agirão como medidas de prevenção para o desenvolvimento da tuberculose ativa, além de servir como prevenção da doença em pessoas infectadas pelo bacilo causador da tuberculose, mas que ainda não desenvolveram a sua forma ativa.

Por fim, o Brasil incorporou em 2014  o teste rápido molecular, nova metodologia diagnóstica baseada em biologia molecular e endossada pela OMS em 2011, e que se encontra presente em 92 municípios brasileiros. Também está avaliando a possibilidade de inclusão de novo método diagnóstico e novo regime terapêutico para infecção latente.

Situação do Brasil

Tendo em vista a nova era para o controle da tuberculose, a OMS redefiniu a classificação de países prioritários para o período de 2016 a 2020. Essa nova classificação é composta por três listas de 30 países, segundo características epidemiológicas: 1) carga de tuberculose, 2) tuberculose multidrogarresistente e 3) coinfecção TB/HIV. Alguns países aparecem em mais de uma lista, somando assim, um total de 48 países prioritários para a abordagem da tuberculose.

O Brasil se encontra em duas dessas listas, ocupando a 20ª posição na classificação de carga da doença e a 19ª quanto à coinfecção TB/HIV. Vale destacar que os países que compõem essa lista representam 87% do número de casos de tuberculose no mundo. O Brasil, com seus 84 mil casos estimados, representa apenas 0,8% dos casos do mundo. Além disso, dentre os países da lista, o Brasil apresentou uma das mais altas cobertura de tratamento (>80%) ao lado da China, Filipinas e Rússia.

Em 2014, a OMS estimou 85 mil casos novos para o Brasil. Nesse novo relatório, foram estimados 84 mil casos novos, o que representou 1.000 casos a menos da doença. Esses resultados vão ao encontro da tendência observada no país sobre a queda da incidência, que apesar de ser lenta, tem sido constante na última década.

Apenas oito dos trinta países de alta carga da doença superaram 90% de cura dos casos de tuberculose. Alguns países ainda precisam avançar, como é o caso do Brasil, que apresentou 71% de cura entre os casos novos.

Entre os 48 países prioritários, o Brasil é um dos 15 países que implementaram o Teste Rápido Molecular para a Tuberculose (TRM-TB) disponível para o diagnóstico de TB para toda a população com suspeita da doença.

Considerando todos os países que reportaram dados para a OMS, o Brasil aparece nos rankings:
Coeficiente de incidência: 103ª posição com 41/100.000 habitantes
Coeficiente de mortalidade: 106ª posição com 2,7/100 mil habitantes

O relatório revela ainda que 82% dos pacientes com TB conhecem o seu status sorológico em relação ao HIV no país. Entretanto, menos de 50% desses iniciaram terapia antirretroviral (TARV) em 2015. Ações, em parceria com o Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, estão sendo realizadas para melhorar esse resultado.

O documento incluiu análises com dados do Brasil sobre o indicador razão de mortalidade/incidência, considerado um dos 10 indicadores principais para o monitoramento da Estratégia pelo fim da TB. O indicador é capaz de identificar inequidades em relação ao acesso do diagnóstico e tratamento. Para a OMS, até 2020, a razão de incidência/mortalidade deve ser menor que 10%. O Brasil já alcançou esse resultado.

No que diz respeito ao financiamento das ações, os BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) possuem financiamento majoritário ou exclusivo de fontes domésticas, com exceção da Índia. Esses países são responsáveis, em média, por 50% dos casos de TB do mundo.

Clique aqui para acessar o relatório, aqui para acessar o sumário executivo e aqui, para os perfis dos países.




segunda-feira, 17 de outubro de 2016

OMS diz que epidemia de tuberculose é mais grave do que se esperava

*Reportagem do jornal O Globo

Fonte: AFP

Imagem de microscopia eletrônica mostra a bactéria que provoca a tuberculose
(Foto: National Institute of Allergy and Infectious Diseases (NIAID))
A epidemia de tuberculose é mais grave do que se pensava até agora, com 10,4 milhões de casos em 2015, enquanto as pesquisas para encontrar uma vacina ou outros tratamentos "carece de fundos suficientes", segundo o relatório anual da OMS (em inglês), publicado na última quinta-feira (13). A cifra supera amplamente a do relatório anterior, que foi de 9,6 milhões de infectados em todo o mundo.

"A luta para alcançar nossos objetivos mundiais no combate à tuberculose é cada vez mais difícil", afirmou a diretora da organização, Margaret Chan.

"Teremos que aumentar substancialmente nossos esforços sob o risco de ver países continuamente castigados por esta epidemia mortal e não alcançar nossos objetivos", ressaltou. A meta é reduzir o número absoluto de mortes por tuberculose em 35% e de contágios em 20% até 2020 com relação aos números de 2015.

O objetivo para 2030 é diminuir em 90% a quantidade de mortos por tuberculose e em 80% os infectados. Segundo o informe da OMS, 1,8 milhão de pessoas morreram vítimas desta doença em 2015 - 300.000 a mais do que no ano anterior.

A tuberculose é provocada por uma bactéria, o bacilo de Koch, que na maioria dos casos se aloja nos pulmões, destruindo o órgão gradativamente. Dois em cada cinco infectados não foram diagnosticados, e por isso podem espalhar a doença, transmitida por via aérea.

Além disso, meio milhão de pessoas têm formas de tuberculose resistentes aos antibióticos, segundo o informe. Para a ONG Médicos sem Fronteiras, este relatório "é um chamado de atenção para mudar o status quo na forma de diagnosticar e tratar a tuberculose e suas formas resistentes".

Índia subestimada

As cifras sobre as dimensões da epidemia foram revistas para cima essencialmente porque os pesquisadores se deram conta de que as estimativas da Índia, entre 2000 e 2015, eram muito baixas.
Seis países representam 60% dos novos casos: Índia, Indonésia, China, Nigéria, Paquistão e África do Sul.

Habitualmente vinculada à pobreza e a condições insalubres, a tuberculose continua sendo uma das principais doenças mortais do mundo, embora em um período de 15 anos, o número de mortes tenha caído 22%.

No entanto, para alcançar os objetivos estabelecidos pela comunidade internacional, as infecções teriam que diminuir entre 4% e 5% por ano, três vezes mais rápido do que diminuem atualmente.

Falta de recursos

A escassez de recursos também é um problema crônico no combate à doença.
Entre 2005 e 2014, os fundos disponíveis alcançaram apenas 700 milhões de dólares por ano. São necessários US$ 2 bilhões para a pesquisa e o desenvolvimento de tratamentos antituberculosos, segundo o informe.

É necessário "incrementar o investimento agora ou simplesmente não conseguiremos erradicar uma das doenças mais antigas e mais mortais do mundo", disse Ariel Pablos-Mendez, um dos encarregados da agência americana para o desenvolvimento internacional, a USAID.


sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Panorama da Tuberculose no Brasil: A mortalidade por tuberculose em números



O Ministério da Saúde por meio do Programa Nacional de Controle da Tuberculose divulga o segundo número do Panorama da Tuberculose no Brasil com o tema  “A mortalidade por tuberculose em números”. A tuberculose ainda se configura como um problema de saúde pública. No mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que em 2014 ocorreram cerca de 9,6 milhões de casos da doença. Na lista dos 30 países que concentram a maior carga, o Brasil ocupa a 20ª posição. Observa-se também que a mortalidade por tuberculose ainda apresenta números alarmantes. Em 2014, no mundo, um milhão de mortes foram atribuídas à doença e, no Brasil, esse número foi de cerca de 4.400.

O conhecimento dos indicadores epidemiológicos e operacionais é imprescindível para a construção do planejamento de atividades dos Programas de Controle da Tuberculose. Nesse sentido, o objetivo desse documento é oferecer aos trabalhadores da saúde, aos estudantes e à sociedade civil um conjunto de informações para subsidiar a análise da situação do controle da tuberculose no País.

Salientamos que os dados apresentados são referentes às bases de dados obtidas em outubro de 2015, a despeito disso, ratificamos a importância desta publicação para verificação da situação da tuberculose no Brasil, nas Unidades Federadas e nas capitais.

A publicação está disponível neste link:
Panorama da Tuberculose no Brasil: A mortalidade por tuberculose em números




sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon pede melhorias nas condições de vida em favelas para erradicar tuberculose

*Texto e imagens extraídos do site: ONU Brasil

                                            Família em uma favela em Mumbai. Foto: OMS / David Rochkind

Em conferência no sábado (17) para discutir o financiamento do Fundo Global contra AIDS, Tuberculose e Malária, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, elogiou a iniciativa que já ajudou a salvar 20 milhões de vidas desde sua criação em 2002. Mas alertou que a falta de saneamento e condições de vida em favelas são obstáculos à erradicação da malária e da tuberculose, respectivamente.

Anualmente, o Fundo angaria 4 bilhões de dólares que são investidos em programas coordenados por especialistas locais nos países e comunidades que mais precisam dos recursos. O objetivo é acelerar a resposta às doenças.

O dirigente máximo das Nações Unidas destacou que a erradicação dessas três infecções é intrínseca aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Segundo Ban, apesar de diferentes, todas as metas da Agenda 2030 visam ao bem-estar de todos.

“E é por isso que o Fundo Global acentuou seu foco em direitos humanos, populações-chave e igualdade de gênero em seu novo quadro estratégico”, disse o secretário-geral durante o encontro, em Montreal. Relatórios recentes da iniciativa indicam ainda a importância do investimento em educação para a prevenção do HIV.

Sobre a tuberculose, Ban Ki-moon enfatizou a necessidade de melhorar as condições de vida em favelas urbanas com alta densidade populacional. E para eliminar a malária, o chefe da ONU pediu um gerenciamento mais adequado dos recursos hídricos e das redes de saneamento.

“A cobertura universal de saúde é uma das metas do ODS nº 3”, lembrou o dirigente, que explicou ainda que mais de 40% dos investimentos do Fundo Global vão para o estabelecimento de sistemas de saúde resilientes e sustentáveis. A tendência é de que essa proporção aumente para preservar as conquistas já obtidas.

“Um desafio crescente é a resistência antimicrobiana. Isso ameaça nossa resposta a todas (essas doenças)”, ressaltou Ban.

Para debater esse tema, líderes mundiais se reunirão na quarta-feira (21), em evento paralelo à 71ª sessão do debate geral da Assembleia Geral.

Descrevendo o Fundo Global como um exemplo de sucesso e de amplas parcerias capazes de unir setor privado, sociedade civil, organizações e atores a nível local, o secretário-geral pediu contribuições maiores dos doadores que mantêm a iniciativa. Promessas recentes incluíam a duplicação da verba disponibilizada por empresas para o programa.




quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Últimos dias para inscrição na 2ª Edição do Curso em Educação Popular em Saúde

*Texto e imagem extraídos do Blog da Saúde

Interessados têm até a próxima segunda-feira para se inscrever na seleção.

Estão abertas as inscrições para segunda edição do Curso de Aperfeiçoamento em Educação Popular em Saúde (EDPopSUS). São dois editais: um para seleção de alunos que irão fazer o curso e outro para seleção de educadores populares, que atuarão como facilitadores do curso. O prazo de inscrição para o curso vai até o dia 26 de setembro. As inscrições são gratuitas.

Ao todo serão 2.345 vagas para educandos (alunos) distribuídas por 10 estados,  sendo que 70% de vagas são reservadas para Agentes Comunitários de Saúde e Agentes de Endemias. O restante das vagas será destinado aos demais profissionais da atenção básica, lideranças comunitárias e integrantes dos movimentos sociais. Já para seleção de facilitadores foram destinadas 174 vagas, incluindo suplência. Os selecionados para as vagas de educadores populares I e  II receberão bolsa mensal no valor de R$1.500,00.

 O Curso do EDPopSUS é uma realização da Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa (SGEP) do Ministério da Saúde, por meio do Departamento de Apoio à Gestão Participativa, em parceria com a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio da Fiocruz. Este curso faz parte das ações estratégicas da Política Nacional Educação Popular em Saúde no âmbito do Sistema Único de Saúde (PNEPS-SUS).  O objetivo do curso é o de contribuir com a implantação da PNEPS-SUS, promovendo a qualificação da prática educativa de profissionais e lideranças comunitárias que atuam em territórios com cobertura da Atenção Básica do SUS.

Oferecido na modalidade presencial e com a duração de 160 horas, sendo 24 horas de trabalho de campo, o curso do EDPopSUS está estruturado em eixos temáticos que pretendem dar subsídios para os alunos refletirem criticamente sobre seu próprio trabalho e atuar a partir dos princípios, lógicas e ferramentas da Educação Popular em Saúde.

Editais e a ficha de inscrição estão disponíveis no site no Programa de Qualificação em Educação Popular em Saúde - www.edpopsus.epsjv.fiocruz.br

Aedê Cadaxa, para o Blog da Saúde

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

A tuberculose mata três pessoas a cada minuto – o mundo precisa acordar para essa pandemia

*Texto traduzido do site do jornal The Guardian

Dr Jess Potter e Dr Chhim examinam um raio-x de um paciente com TB no hospital de Kampong Cham, Camboja. Foto: Tom Maguire

A principal causa de morte por doença infecciosa em todo o mundo, a tuberculose (TB), está associada com a imigração no Reino Unido. Lá, eu disse. Agora vamos seguir em frente, porque nenhuma parede à la Donald Trump ou Brexiteer vai manter a TB do lado de fora. Devemos proibir a migração então? Francamente, esta é uma noção ridícula; daquelas que até mesmo o mais isolacionista teria que se virar para justificar.

Há realmente apenas uma escolha - é preciso atacar a TB em escala global e isso significa a necessidade de investimento no exterior

Alguns poderão argumentar que poderíamos aumentar nossa atual política de rastreio para TB (pessoas que desejam mudar para cá de países onde a tuberculose é comum seriam verificados pré-entrada) para incorporar testes e tratamento para a forma silenciosa ou latente da doença, mas isso não cobriria os milhões de pessoas que vêm para o Reino Unido por até seis meses com um visto de turista. Isso sem mencionar as considerações éticas. Em qualquer caso, não existe, atualmente, uma maneira eficaz de tratar a forma latente de TB resistente a múltiplos fármacos (MDR-TB). Então, na minha opinião, há realmente apenas uma escolha - é preciso atacar TB em escala global e isso significa mais investimentos no exterior.

Para aqueles de vocês que pensam que a tuberculose foi erradicada há muito tempo, consignada à história com os gostos de Edgar Allen Poe, pense novamente. Em 2014, estima-se que 9,6 milhões de pessoas ficaram doentes por tuberculose [pdf - em inglês] - que é o equivalente a quase toda a população da Suécia. E o equivalente a quase todos os que vivem em Estocolmo - 1,5 milhão - morreram da doença. A TB mata três pessoas a cada minuto. Se o imperativo moral para salvar essas vidas não é suficiente, a carga econômica global de TB é estimada em US $ 12 bilhões (£ 9 bilhões) anualmente. (em inglês)

A TB prospera em sistemas de saúde fraturados e subfinanciados

Em 1993, depois de décadas de declínio, as mortes por TB voltaram a aumentar. A OMS declarou a tuberculose como uma emergência global e casos de TB em partes de Londres tornaram-se tão comuns como em algumas áreas da África Subsaariana.

A pandemia global TB tem sido alimentada pela negligência: a vontade política é limitada, o investimento em diagnósticos, medicamentos e vacinas é pobre, e a epidemia de HIV desempenhou o seu papel com quem sofre cerca de 27 vezes mais probabilidade de contrair tuberculose (em inglês). A doença, em particular a TB-MDR, prospera nos sistemas de saúde fraturados e subfinanciados. A TB gera perdas globais de US $ 12 bilhões anualmente e são necessários US $ 6,4 bilhões para acabar com esta epidemia. Não sou economista, mas me parece claro onde devemos gastar o nosso dinheiro.

Em 2002, o Fundo Global de Luta contra a Tuberculose, HIV e Malária foi estabelecido. Sua estratégia de oferecer financiamento aos países e promover uma abordagem de parceria entre a sociedade privada, pública e civil, terá salvado um número estimado de 22 milhões de vidas até o final deste ano. As metas de desenvolvimento do milênio para virar o jogo sobre estas epidemias em 2015 foram alcançadas: novas infecções pelo HIV caíram 38%, as mortes por TB caíram 45%, e o número de novos casos de malária caiu em 37%.

Para TB, o Fundo Global fornece mais de 75% de todo o financiamento internacional. Sem o fundo, não haveria uma resposta internacional à doença infecciosa que mais mata no mundo. Para se ter uma noção do papel do Fundo Global na luta contra a TB, em especial, vou usar o Camboja como um estudo de caso.

Emergindo da devastação de genocídio e décadas de guerra civil da era Pol Pot, o sistema de saúde do Camboja estava em frangalhos no início dos anos 1990. O Camboja é um dos países com alta carga de TB segundo a OMS. Um estudo de prevalência em 2002 indicou que 1,5% da população tinha a doença. Minha visita recente mostrou claramente que, desde então, com o apoio do financiamento internacional,  e com um ministério da saúde engajado e um bem concebido Programa Nacional de TB, o Camboja reduziu a prevalência de TB em aproximadamente 50%.

Dr Mao Tan Eang, diretor do programa nacional de TB nacional (NTP), me disse que a chave para acabar com a TB tem sido fechar a lacuna de recursos. Em 2015, apenas 12% do programa de TB foi financiado com recursos nacionais, 47% foi financiado por doadores estrangeiros (metade dos recursos vieram do Fundo Global), e o restante ficou sem financiamento.

O objetivo do desenvolvimento sustentável número três da ONU requer garantias para uma vida saudável com a ambiciosa meta de acabar com as epidemias de Aids, tuberculose e malária até 2030. Se queremos alcançar estes objectivos, temos de acabar com o déficit de financiamento.

Este mês, o Canadá será a sede da 5ª Conferência de reposição de recursos do Fundo Global. O Canadá aumentou sua doação em 20%, a França já prometeu US $ 1.08bn, mas o Reino Unido e a Alemanha ainda não fizeram doações. Existe um imperativo moral e um forte argumento econômico para fazê-lo, e se há ainda alguma chance de sucesso, ela pode ser ameaçada por um financiamento insuficiente, a ambivalência pública e as políticas nacionais.

No século passado, perdemos o controle. Não vamos fazê-lo novamente. O progresso que fizemos desde nos deu uma plataforma a partir da qual podemos ousar sonhar em livrar o mundo dessas doenças devastadoras, mas apenas se trabalharmos juntos. Por enquanto, vamos esperar ansiosamente para descobrir se o governo britânico vai cumprir com suas responsabilidades. Vidas estão na balança.

Jessica Potter é médica e pesquisadora do Centro de Atenção Básica e Saúde Pública  do Blizard Institute, da Queen Mary University of London. Siga @DrJessPotter no Twitter.



terça-feira, 6 de setembro de 2016

Copresidente da Frente Parlamentar de Tuberculose das Américas estabelece importantes compromissos pela luta contra a doença na Argentina


Nos dias 23 e 24 de agosto, o deputado uruguaio e copresidente da Frente Parlamentar de Tuberculose das Américas, Luis Enrique Gallo, esteve na Argentina com o propósito de elevar o perfil da tuberculose entre o parlamento e governo argentinos. A intensa agenda da visita foi centrada no diálogo sobre como os diferentes órgãos do governo podem priorizar o tema em suas dinâmicas de trabalho.

A deputada argentina Gisela Scaglia organizou uma sessão especial de tuberculose na Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados da Nação, onde o deputado Luis Gallo pode expor dados atuais sobre a doença no país e no mundo, e clamar pelo envolvimento dos deputados na luta contra a tuberculose. Os parlamentares se comprometeram a lançar uma rede nacional da Frente, em conjunto com o senado, até março de 2017.

O Senado também organizou um momento para receber Gallo para discutir as ações futuras da luta contra a tuberculose no país e na região. Juntos, os parlamentares estabeleceram estratégias para a priorização da tuberculose como agenda permanente nos diferentes fóruns parlamentares como o Parlatino e Parlamento Caribenho.

Gallo também foi recebido no Ministério da Saúde e reafirmou o apoio à iniciativa parlamentar, acordando em unir os esforços para abordar os principais desafios na luta contra a doença no país, fornecendo dados e informações relevantes que servirão como base para a criação de projetos de lei e ações relevantes. Um dos temas levantados como possível área de cooperação para a região foi o diálogo para estabelecimento de compra conjunta de medicamentos para a tuberculose para atender as frequentes roturas nos estoques dos países. O deputado levará o tema à próxima reunião da Frente das Américas.

A representante da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) da Argentina, Dra. Maureen Birgham também recebeu o deputado e ofereceu o apoio da organização para as ações da Frente no país. A OPAS tem sido uma das principais organizações parceiras da Frente, desde seu estabelecimento, e o fortalecimento desse vínculo nos países é de suma importância.


O deputado foi ainda recebido pelo Vice Chanceler Carlos Foradori e sua equipe para discutir a importância da agenda sobre resistência antimicrobiana no âmbito do G20, bem como a importância da tuberculose resistente como pauta desta agenda. O Embaixador e Vice Chanceler se comprometeu com a priorização da pauta da tuberculose na agenda de saúde global do ministério, propondo levar o tema para a próxima reunião de Chefes de Estado do UNASUL.